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TikToker trata tensão envolvendo Ucrânia, Rússia e Estados Unidos de forma bem-humorada; assista

RIO — A complexa tensão envolvendo atualmente a Ucrânia e os interesses dos Estados Unidos e da Rússia serviu de inspiração para o ator e comediante Pedro Daher, com 2,8 milhões de seguidores no TikTok, preparar um vídeo tentando resumir — de forma bem-humorada — o que, afinal, está acontecendo. Acostumado a apresentar uma narrativa que personifica países, ao usar um efeito que deixa à mostra apenas seus olhos e boca em cima de mapas para encarnar uma nação, o criador de conteúdo aplicou este modelo para representar os atuais governos ucraniano, americano, russo e chinês.

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Intitulada “Conflito da Ucrânia”, a postagem feita no último dia 31 soma mais de 1,4 milhão de visualizações no TikTok. Nos comentários, internautas deixam elogios ao autor, com muitos afirmando terem conseguido compreender mais a situação por causa daquele vídeo.

“Cara… eu nunca fiquei informado de algo de uma forma tão DIVERTIDA… parabéns! Você é inteligentíssimo”, disse um usuário da plataforma.

“Se não fosse esse vídeo eu ficaria sem entender essa treta KKKKKK tiktok tmb é educação”, afirmou outro.

“Nossa finalmente entendi esse parangolé todo só um vídeo do tik tok para me fazer entender kkkk”, escreveu mais um.

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Diante dessa repercussão, o GLOBO procurou o professor de História da Universidade de São Paulo (USP) Angelo Segrillo, especialista na região que abrange a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), para traçar alguns esclarecimentos sobre a temática do vídeo. Ao assisti-lo, Segrillo considerou-o como uma “sátira excelente” com “referências a aspectos que de fato são discutidos por especialistas”.

No entanto, o professor ressaltou que o conflito em questão é mais profundo do que aparenta ser no resumo, de forma que não possa ser visto como uma explicação fiel à realidade.

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— Achei excelente. É uma sátira, mostra a questão dos Estados Unidos com Rússia, a Ucrânia no meio dos dois “cachorros grandes”, e há diversos aspectos dos lados envolvidos que têm tudo a ver (com o contexto real), como o econômico, ou quando os EUA dizem que a Rússia está sozinha e então ela chama a China. Como sátira, tocou em pontos que são discutidos pelos especialistas, como os EUA liderando a Otan, a reação da Europa, mas não se pode tomar (o vídeo) literalmente, pois não é aprofundado. A temática é super complexa, reúne aspectos históricos e do contexto dos últimos anos — afirmou Segrillo.

O especialista mencionou ainda a preocupação dos países europeus, como a Alemanha, que construiu um gasoduto.

— De um lado, a gente vê a Europa tensa, pois gostaria de acompanhar a Otan, mas depende do gás e do petróleo russo — acrescentou.

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Considerando o panorama histórico, o professor lembrou que a Rússia, Ucrânia e Bielorússia costumavam compor um povo entre os séculos IX e XII que, após o domínio mongol, no século XIII, começou a se separar, criando uma relação de “amor e ódio” entre si. Enquanto a Rússia formou um grande império, a Ucrânia viu seu povo se fragmentar, resultando num país que não é homogêneo, de modo a gerar conflitos internos. Já no século XX, as duas integravam a URSS que, em 1991, se desintegrou, deixando a Rússia fraca economicamente. Com o passar do tempo, a situação foi se agravando.

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— Os russos não conseguem entender a expansão da Otan, que era uma organização contra a URSS. Como a Rússia está entre a Europa e a Ásia, ela tem risco de ser atacada dos dois lados, então sempre tratou a questão da segurança como algo muito sensível e não aceitam uma aliança militar crescendo para o lado deles.

Em seu ponto de vista, Segrillo não acredita numa vontade de Vladimir Putin invadir a Ucrânia, o que causaria um movimento descrito pelo professor como “custoso” e possivelmente “sangrento”, algo que não seria vantajoso. Com isso, sua expectativa é pela realização de um acordo informal entre os países, como nos tempos de Guerra Fria.

— Os dois lados estão pressionando. De repente, a saída para salvar as aparências é voltar a uma forma antiga de diplomacia, de forma secreta, como na antiga crise dos mísseis em Cuba. Agora, os EUA por um lado dizem que a Otan pode crescer e, por outro, a Rússia diz que não aceita a Ucrânia fazer parte dela. Aparentemente, estão se colocando num beco sem saída — afirmou, completando com outra possibilidade: de os conflitos “saírem do controle”.

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