Single Blog Title

This is a single blog caption

Cartas ao director

Alqueva

A barragem do Alqueva projectada em 1975, e iniciadas as obras em 1976, teve sucessivas paragens que se prenderam com dificuldades diversas, quer pelos custos financeiros quer talvez pelos custos políticos. Os custos financeiros prendem-se com o elevado custo e as dificuldades do país. Os custos políticos prendem-se com a existência da Reforma Agrária na zona, o que iria apoiar o desenvolvimento deste sector, contrário aos interesses dos grandes agrários e aos políticos da política de direita.

Assim, só quando a Reforma Agrária foi considerada morta e enterrada é que teve continuidade a grande obra da barragem. Terminada em Fevereiro de 2002 e enchida a barragem, os agro-industriais espanhóis descobrem o “filão” do olival intensivo, comprando as terras aos latifundiários portugueses, que de olival intensivo e em sistemas de rega gota a gota eram analfabetos. Hoje temos mais de 120 mil hectares de área de regadio, ocupados com o olival, amendoal, vinha, etc.. É um sistema agrário intensivo que busca rendimento no mais curto prazo possível, provocando a degradação ambiental, de solos, lençóis freáticos e a desertificação humana. É verdade que o país se tornou autosuficiente no azeite e outras culturas de regadio, mas irá pagar elevados custos. Como seria hoje o Alentejo se tivesse sido construída a barragem e não tivessem destruído a Reforma Agrária?

Mário Pires Miguel, Reboleira

Vinte anos depois

Como alentejano, é com profunda tristeza que leio o retrato que o jornalista Carlos Dias faz da actual situação do empreendimento do Alqueva. Passados que estão 20 anos depois da sua inauguração e investidos que foram 4000 milhões de euros de investimento público, os resultados são catastróficos para a região e para o país.

A aposta na agricultura intensiva e superintensiva vai levar-nos, mais cedo ou mais tarde, ao desastre ambiental. Sem regras definidas, os terrenos têm sido adquiridas por empresas estrangeiras, pouco preocupadas com o lastro de destruição que vão deixando (40% das terras irrigáveis estão na posse de empresa espanholas e fundos americanos, canadianos, etc.). Enquanto isso, o Alentejo vai perdendo cada vez mais população, substituída, aqui e ali, por mão-de-obra estrangeira explorada e escravizada.

Mas o que mais me impressiona é o facto de termos terminado há pouco a campanha eleitoral para as legislativas e o assunto nem sequer mereceu qualquer discussão nacional nem local. Um terço do país está a ser cozido em lume brando como o sapo e ninguém parece preocupar-se.

Os ministros da Agricultura não falam do problema. Capoulas Santos, que até é alentejano, ocupou durante vários anos cargos de responsabilidade ligados à agricultura, sem que a sua voz se ouvisse. A actual ministra da Agricultura não existe. O ministro do Ambiente parece ter jeito para muita coisa, menos para a pasta que gere. E os presidentes das câmaras que ainda não tiveram tempo de alterar o PDM e introduzir as alterações que são necessárias para acabar com este crime de lesa-pátria?

Deixo um desafio ao Presidente da República. Que faça como Mário Soares durante o governo de Cavaco Silva e que vá até Odemira fazer uma presidência aberta. Presumo que daria umas belas selfies.

J Sequeira, Lisboa

Ventura agradece

O meu voto foi sempre no PCP, coligado ou não, excluindo as duas vezes em que votei na candidatura presidencial de Marisa Matias. Muita água passou por debaixo da ponte libertadora da revolução do 25 de Abril. Comparar o hemiciclo da Assembleia Constituinte de 1975 com a Assembleia da República de 2022, é comparar o incomparável. Políticos com o gabarito de Álvaro Cunhal, Mário Soares ou de Sá Carneiro despontam raramente. Quem diria que 46 anos após o 25 de Abril e durante uma governação socialista, um partido de extrema-direita conseguiria eleger 12 deputados. No entanto, António Costa ao declarar que não irá receber o Chega, faz André Ventura esfregar as mãos de contente. A provocação é terreno fértil para Ventura. Chega de fazer o jogo da extrema-direita.

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

O Chega

O artigo de J. M. Tavares criticando a atitude dos partidos e dos governantes em relação ao Chega está carregado de razão e sensatez. O Chega está democraticamente legalizado e como tal tem os mesmos direitos dos outros partidos. Não ter isto em consideração é errado e sobretudo perigoso. Os democratas têm de combater as ideias do Chega e não os direitos que o regime democrático lhe confere. A atitude de Mário Soares em relação ao PCP e quejandos foi bom exemplo da eficácia desta estratégia de integração. Como teria sido caótico o nosso processo de democratização com PCP e outros radicais excluídos do sistema, à solta e sem controlo, pelas ruas, empresas e campos deste país. Não se facilite esse caminho ao Chega.

Miguel Vaz de Almada, Monte Estoril

Leave a Reply